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CONCEITO DE "CIDADES DE 15 MINUTOS" GANHA FORÇA NO PÓS-PANDEMIA

Na conferência “A cidade pós-pandemia. O que mudou e lições para o futuro!”, para além da visão da Cidade dos 15 minutos, foram debatidos os impactos e alterações causados pela pandemia no trabalho, habitação e saúde

07/12/2022

CONCEITO DE "CIDADES DE 15 MINUTOS" GANHA FORÇA NO PÓS-PANDEMIA
Conceito de “cidades de 15 minutos”

A pandemia de Covid-19 impactou a sociedade de uma maneira marcante. Decorreram alterações no modo como percecionamos o trabalho, na forma como projetamos as nossas casas, as nossas necessidades de espaço e serviços, bem como as exigências e as qualidades dos espaços de escritórios.

Estas alterações que estes dois anos marcantes trouxeram foram discutidas no último dia da Semana da Reabilitação Urbana do Porto, na conferência “A cidade pós-pandemia. O que mudou e lições para o futuro!”, onde a Ordem dos Arquitectos - Seção Regional Norte juntou-se à Schmitt + Sohn Elevadores para um debate com foco na cidade pós-pandemia.

Dando início à conferência, Conceição Melo, presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, assinala que este "é um tema que está na ordem do dia". Destacou também que com a pandemia trouxe "aspetos positivos" no que diz respeito à sustentabilidade: "notámos uma melhoria da qualidade do ar e a diminuição da emissão de gases com efeito estufa".

Joel Cleto, arqueólogo e historiador, deu uma perspetiva histórica das pandemias que a humanidade já atravessou e os impactos que as mesmas causaram nas cidades, que as conduziu a transformações. Apesar de os inúmeros aspetos nocivos que este vírus trouxe à sociedade, Joel Cleto indica que a natureza deu-nos aqui "uma oportunidade para criar novas oportunidades e mecanismos".

A visão da cidade dos 15 minutos

António Carlos Coelho, arquiteto, deu uma perspetiva do que é esta visão da cidade dos 15 minutos, que surgiu em 2015 num encontro das Nações Unidas. Esta visão propõe um "novo estilo de vida urbano" em que viver trabalhar, comprar, cuidar, educar está num "curto perímetro de distância", refere.

"Encurtar as distâncias dos principais eixos de via de todos nós – trabalho, serviços, saúde, ensino, lazer, entre outros – implica uma evolução urbana que visa a multifuncionalidade dos espaços com a inevitável transformação dos locais. A monofuncionalidade deve mesmo desaparecer", frisa António Carlos Coelho.

O arquiteto refere ainda que o objetivo da cidade dos 15 minutos "passa por transformar a cidade numa vasta redes de lugares em que o tempo útil se transforme passe a tempo de vida".

Ao ser questionada pelo moderador Miguel Franco, co-CEO da Schmitt Elevadores, se existirá um modelo único de cidade sustentável, Conceição Melo, Presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, considera que "não, nós temos um modelo e o contraditório desse modelo e, também, nunca conseguimos implementar o modelo. O que faz mais sentido é nós pensarmos que as soluções têm de ser à medida dos problemas e das características sociais, económicas, tipográficas, e não podem ser soluções iguais para todas as situações".

A presidente do Conselho Diretivo Regional Norte da Ordem dos Arquitectos alega ainda que nós temos "uma certa escala de cidade que permite aprofundar e experimentar muitas dessas soluções, pois não temos cidades muito grandes. Por exemplo, o Porto podia ser uma boa cidade para experimentar o modelo da cidade dos 15 minutos".

Habitação

Em termos de habitação, António Carlos Coelho recorda que "passámos a ter uma habitação que passou a ser um espaço de trabalho e, ao mesmo tempo um espaço de entretenimento, com as plataformas digitais, que começámos a desfrutar mais. A habitação deixou de ser só para habitar, agora é mais para morar: passou a ter uma série de funções". Em teoria, considera que "as habitações têm de ser maiores: não podemos continuar a conviver com habitações que não têm a dimensão, a capacidade e a flexibilidade onde possam caber todas essas valências".

Para António Carlos Coelho, o grande problema da habitação é "por um lado temos exigências práticas que fazem com que a habitação deva aumentar a sua área e, ao mesmo tempo, continuamos com os mesmos regulamentos que tínhamos e continuamos a ter. Por esta razão, a questão da habitação ganha uma enorme centralidade na discussão de combate ao covid-19".

Escritórios

No segmento de escritórios, relativamente à evolução que a pandemia promoveu, Samuel Gonçalves, arquiteto, considera que há uma "grande dualidade": por um lado, "há um grande grupo de escritórios que perderam imensa importância, muitos deles desapareceram, porque as pessoas começaram a trabalhar a partir de casa e os empregadores perceberam que a produtividade não era reduzida e até conseguiam reduzir alguns dos custos operacionais; depois, há um segundo grupo, onde a importância dos escritórios aumentou com a pandemia". Assim, "tivemos de criar uma nova atratividade de espaços de trabalho para estimular os trabalhadores a voltar aos espaços de trabalho", manifesta o arquiteto.

Saúde

Para Susana Pascoal, diretora de Marketing da Victoria Seguros, há algo que "a pandemia acentuou de forma dramática: a combinação binómio construção e a saúde. Sustentabilidade era muito alavancado no conceito de sustentabilidade ambiental e energética: agora falamos de sustentabilidade humana".

Considera que, na pandemia, "as casas foram a nossa cura, fortaleza e combate à doença. Assim, as pessoas começaram a ver as casas de outra forma". Para a Diretora de Marketing da Victoria Seguros, "o teletrabalho é uma realidade" e um conceito que "mudou de uma forma estrutural e, de facto, ainda não percebemos as vagas de alteração e impacto que este fenómeno vai trazer".

Fonte: Público Imobiliário