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Antiga Fábrica de Conservas Vasco da Gama recebeu mais de 2.200 pessoas na Semana da Reabilitação Urbana do Porto
A habitação foi o principal tema em destaque nesta que foi a 14ª edição do evento dedicado à regeneração urbana, às cidades e aos principais temas da atualidade do setor da construção e do imobiliário.
05/11/2026
Matosinhos acolheu esta semana uma nova edição da Semana da reabilitação Urbana do Porto. De 2 a 4 de novembro, passaram pela Antiga Fábrica de Conservas Vasco da Gama mais de 2.200 pessoas, responsáveis por mais de 10.500 registos nas várias sessões e iniciativas do evento.
Nestes três dias realizaram-se conferências, debates, seminários e workshops distribuídos por dois palcos distintos. O programa contou com a participação de mais de 100 oradores, além das empresas expositoras.
A habitação dominou o debate, sendo já um tema incontornável da agenda pública. A criação de nova oferta, o investimento em habitação acessível, os novos modelos de Build to Rent, o mercado de arrendamento, as alterações ao licenciamento urbanístico e o contributo da indústria para uma construção mais rápida, eficiente e sustentável estiveram em análise com alguns dos principais players do mercado imobiliário, da indústria da construção e do setor público.
“Juntar o setor para refletir sobre os verdadeiros problemas que temos de resolver”
Participando com uma mensagem de vídeo na abertura do evento, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, destacou que “juntar o setor para refletir sobre os verdadeiros problemas que temos de resolver no nosso país é essencial”. A Semana da Reabilitação Urbana “tem feito esse trabalho de encontrar aquilo que nos une, em vez de estarmos sempre à procura daquilo que nos divide”. O governante acredita que “é importante encontrar plataformas onde todos possam confluir: senhorios, inquilinos, promotores, advogados, arquitetos e engenheiros”.
“É imperioso que se continue a construir”
Presente na inauguração do evento, a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, afirmou que é tempo de “tomar decisões para decidir para onde queremos levar o país”, lembrando que a habitação “é o primeiro tema da agenda mediática. Hoje temos este grande desafio de responder à crise da habitação, ultrapassando o facto de termos um grande número de habitações fechadas e, ao mesmo tempo, uma enorme lista de espera para uma casa”.
O prazo de execução do PRR já terminou, mas “é imperioso que se continue a construir. Precisamos de mais habitação, nomeadamente de habitação pública, de mais cooperativas e de vontade política”. Em paralelo, “o arrendamento tem de continuar a ser prioridade, precisamos que os senhorios confiem que podem colocar as suas casas no mercado”.
“Um objetivo comum”
Manuel Reis Campos, presidente da CPCI, frisou nesta sessão de abertura que “não falamos de construir ou reabilitar, público ou privado, sustentabilidade ou desenvolvimento. É preciso mobilizar tudo em prol de um objetivo comum – ter mais casas disponíveis para todos, é preciso passar das intenções à ação”.
Defendeu que os acordos governativos devem ir além dos ciclos políticos, para garantir estabilidade e duração das medidas no tempo. Pede a mobilização de solo para habitação e a revisão do enquadramento legal dos solos; e que a simplificação urbanística chegue efetivamente ao terreno, pois “o licenciamento nunca pode demorar mais que o tempo de construção, a administração pública tem de ser capaz de responder em tempo útil”. Alerta também para a importância da capacidade efetiva da construção, através da aposta na digitalização, industrialização, novos materiais e “tudo o que aumente a produtividade e sustentabilidade, encurtando o tempo de construção”. A par disso, “o mercado de arrendamento precisa de mais oferta, capaz de responder às necessidades de todos. Não podemos ficar apenas pela intenção”.

A Semana da Reabilitação Urbana do Porto e de Lisboa é uma iniciativa da Vida Imobiliária. Esta edição contou com os apoios da Câmara Municipal de Matosinhos e da Câmara Municipal do Porto.