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BdP pede mais urgência na resposta à crise da habitação

Álvaro Santos Pereira considera que Portugal não está a construir o suficiente e defende um reforço do investimento público e privado para responder ao défice de habitação.

08/10/2026

BdP pede mais urgência na resposta à crise da habitação
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O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, considera que Portugal não está a responder com a “urgência necessária” à situação da habitação, apesar das melhorias registadas no licenciamento e no investimento.

Na apresentação do Boletim Económico de outubro, o governador apontou para um défice de 300 mil casas no país e defendeu uma intervenção mais decisiva para aumentar a oferta, tendo afirmado: “Não estamos a ter a urgência necessária para confrontarmos a situação, seja ao nível do investimento público, seja ao nível do investimento privado”.

“É verdade que melhorámos um pouco no licenciamento, é verdade que estamos melhor ao nível do investimento, mas não estamos a construir o suficiente para enfrentarmos o problema que temos em mãos”, acrescentou. Para Santos Pereira, “é necessária uma intervenção mais decisiva” para travar o ritmo de subida dos preços da habitação.

O governador destacou ainda, de acordo com o Jornal Económico, o reduzido investimento em habitação pública social em Portugal, que considera estar entre os níveis mais baixos da OCDE: “Eu gostaria que quer o Governo, quer as autarquias, quer o setor privado, percebessem a urgência e que atuassem”, afirmou. Sobre os municípios, defendeu que, caso não disponham de verbas do PRR para construir habitação, deverão recorrer a recursos próprios. “Enquanto não entendermos esta urgência social, enquanto sociedade, não vamos resolver o problema”, concluiu.

As declarações foram feitas no mesmo dia em que o Banco de Portugal reviu em alta as previsões para a economia portuguesa. O supervisor estima agora um crescimento do PIB de 2,3% em 2026, acima dos 1,8% previstos anteriormente, e de 1,8% em 2027, face aos 1,6% projetados em julho.

O responsável acrescentou ainda que Portugal possa apresentar um excedente orçamental este ano e no próximo, explicando que um crescimento económico mais forte deverá traduzir-se em maior receita fiscal.