Opinião

O mercado de investimentos de Portugal teve um início promissor em 2026, apesar dos desafios emergentes.

20/05/2026

O mercado de investimentos de Portugal teve um início promissor em 2026, apesar dos desafios emergentes.

Marta Vieira Lourenço

Dils

O mercado de investimento imobiliário comercial em Portugal encerrou 2025 com resultados notavelmente positivos, com um volume total de transações de aproximadamente € 2,7 mil milhões. O ano foi marcado por uma recuperação generalizada em setores-chave, com o comércio a retalho, escritórios e hotelaria a liderar a atividade. Em particular, os investidores nacionais desempenharam um papel fundamental na promoção da liquidez, especialmente através de fundos abertos e capital privado, que foram essenciais para sustentar o fluxo de negócios e a confiança do mercado.

Esse ímpeto positivo se estendeu até 2026, posicionando o ano como um potencial novo recorde. Somente no primeiro trimestre, o volume de transações ultrapassou € 900 milhões, refletindo um robusto aumento de 37% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Negócios marcantes acima de € 100 milhões ressaltam tanto a disponibilidade de capital quanto a continuidade de uma abordagem de investimento estratégica e disciplinada, focada em ativos resilientes com fundamentos sólidos.

Em termos setoriais, o retalho e a hotelaria emergiram como as forças dominantes no início de 2026, representando em conjunto aproximadamente 75% do volume total de investimentos. A hotelaria, por si só, representou cerca de 40%, impulsionada por transações de grande repercussão, como a venda do Penha Longa Resort em Sintra e do Hotel InterContinental no Porto, ambos adquiridos por investidores internacionais, incluindo a joint venture entre a L. Catterton (Louis Vuitton Family Office) e a Cedar Capital.

O setor de retalho manteve sua forte posição, capturando cerca de 38% do investimento total. Os shopping centers lideraram mais uma vez a atividade dentro do segmento, com aproximadamente € 230 milhões transacionados em duas grandes transações: a aquisição de participações de 70% na Arrábida e no Gaia Shopping — ativos iniciais para o novo fundo aberto Mais Capital — e o Alameda Shop & Stop, adquirido pela Square Asset Management. Os parques de varejo também continuaram a atrair o interesse dos investidores, com transações notáveis, incluindo o Matosinhos Retail Park e o Alta Retail Park em Lisboa, adquiridos pela Montepio Gestao de Ativos e pela joint venture entre a Ares e a Redevco, respectivamente.

O segmento de Infraestrutura e Licenciamento (I&L) também se destacou, com cerca de € 150 milhões transacionados, representando aproximadamente 27% do volume total. Um dos principais destaques foi a aquisição do Data Center Covilhã pela Asterion Industrial Partners por € 120 milhões.

Em termos de origem dos investidores, o primeiro trimestre de 2026 registou uma presença mais forte de capital internacional, representando cerca de 60% do investimento total, enquanto os investidores nacionais mantiveram uma participação significativa de 40%. Fundos abertos, investidores institucionais e capital privado continuam sendo os perfis mais ativos no mercado.

Embora o desempenho do primeiro trimestre tenha sido inegavelmente forte, as crescentes tensões geopolíticas — principalmente o conflito em curso com o Irã — estão introduzindo um certo grau de incerteza. Preocupações com a inflação e as potenciais implicações nas taxas de juros podem moderar o sentimento dos investidores nos próximos meses.

Ainda assim, a liquidez permanece abundante e espera-se que a disciplina dos investidores prevaleça. Os sólidos fundamentos de Portugal e a sua localização estratégica deverão continuar a atrair capital internacional. Ao mesmo tempo, espera-se que os investidores nacionais — em particular os fundos abertos e o capital privado — se mantenham resilientes e ativos, sustentando a atividade do mercado ao longo de 2026. Os projetos em carteira e o fluxo contínuo de negócios apontam para um ano muito robusto em termos de volume total de investimento, com os setores da hotelaria, do retalho e dos escritórios a manterem-se entre os mais procurados.

Artigo original na Revista Iberian Property